Games of the Future 2026 mostra como o “phygital” pode mudar a forma de competir nos games

Imagine uma competição em que o jogador precisa primeiro provar que é bom dentro de um videogame e, logo depois, demonstrar a mesma habilidade em uma atividade física no mundo real.

Essa é a proposta dos Games of the Future, torneio que mistura esportes tradicionais, videogames e tecnologia em um formato conhecido como phygital — palavra criada a partir da combinação de physical e digital.

A edição de 2026 acontece em Astana, no Cazaquistão, entre 29 de julho e 9 de agosto, reunindo mais de 800 atletas de mais de 50 nacionalidades. Ao todo, são oito disciplinas e uma premiação de aproximadamente US$ 4,65 milhões.

Mais do que simplesmente criar uma nova competição, o evento tenta responder a uma pergunta interessante: e se o futuro dos esportes eletrônicos não estiver apenas dentro de uma tela?

Mas o que exatamente é o phygital?

O conceito é relativamente simples.

Em uma competição phygital, os participantes precisam competir tanto no ambiente digital quanto no físico.

Em vez de escolher entre esporte tradicional e videogame, o formato combina os dois.

No futebol phygital, por exemplo, uma partida começa no ambiente digital e depois passa para o campo real. O desempenho da equipe nas duas etapas faz parte da mesma competição.

A mesma lógica pode ser aplicada ao basquete, dança, tiro e luta.

O objetivo é criar uma modalidade em que reflexos, estratégia, habilidade com controles e capacidade física tenham importância.

É uma proposta bastante diferente dos esports tradicionais, nos quais praticamente toda a competição acontece diante de um computador ou console.

Games of the Future não é apenas um torneio de videogames

É justamente aqui que o evento fica mais interessante.

Apesar de os videogames serem uma parte fundamental da competição, os Games of the Future não se limitam aos esports.

A edição de 2026 possui oito disciplinas:

  • Phygital Football
  • Phygital Basketball
  • Phygital Shooter
  • Phygital Dancing
  • Phygital Fighting
  • MOBA PC
  • MOBA Mobile
  • Battle Royale

Entre os jogos utilizados estão UFL, 3on3 FreeStyle, Counter-Strike 2, Just Dance, Fatal Fury: City of the Wolves, Dota 2, Mobile Legends: Bang Bang e PUBG: Battlegrounds.

Isso significa que parte da competição segue um modelo tradicional de esports, enquanto as modalidades phygital acrescentam uma etapa física.

Como funciona na prática?

O conceito fica mais fácil de entender quando observamos um exemplo.

Imagine uma equipe disputando Phygital Football.

Primeiro, os jogadores se enfrentam virtualmente em UFL.

Depois da etapa digital, a competição segue para o campo físico.

A equipe precisa então demonstrar suas habilidades no futebol real.

O resultado final leva em consideração as duas partes da disputa.

O mesmo princípio aparece no basquete, onde a etapa digital utiliza 3on3 FreeStyle, enquanto o restante da competição acontece fisicamente.

É justamente essa mistura que diferencia os Games of the Future de um campeonato convencional de esports.

E o público?

A ideia não é apenas criar uma competição diferente para os atletas.

O formato também foi pensado para funcionar como espetáculo.

Em uma partida tradicional de esports, o espectador acompanha jogadores diante de monitores.

No phygital, a transmissão pode alternar entre o que está acontecendo dentro do jogo e o que acontece na arena física.

Isso cria uma dinâmica diferente para quem está assistindo.

Em uma partida de futebol phygital, por exemplo, uma equipe pode estar disputando uma partida virtual e, poucos minutos depois, os mesmos competidores podem estar correndo em um campo.

A organização acredita justamente que essa combinação pode aproximar públicos diferentes: fãs de esportes tradicionais e jogadores.

US$ 4,65 milhões em prêmios

A edição de 2026 também mostra que o projeto está sendo tratado como uma competição esportiva de grande escala.

O prêmio total chega a aproximadamente US$ 4,65 milhões.

Algumas das maiores premiações estão justamente nas modalidades tradicionais de esports.

Dota 2 e PUBG: Battlegrounds distribuem US$ 1 milhão cada, enquanto Mobile Legends: Bang Bang possui uma premiação de US$ 900 mil.

Entre as modalidades phygital, o futebol distribui US$ 625 mil, o fighting US$ 500 mil e o basquete US$ 400 mil.

Ou seja, apesar de o conceito phygital ser o grande diferencial do evento, os esports tradicionais continuam tendo um papel gigantesco na competição.

Astana se transforma na capital do phygital

A edição de 2026 está espalhada por diferentes locais de Astana.

Entre eles estão a Barys Arena, Beeline Arena, o complexo esportivo Qazaqstan e o Palácio de Artes Marciais Zhaksylyk Ushkempirov.

A organização espera receber mais de 800 atletas e transformar a capital do Cazaquistão em uma espécie de laboratório para esse novo modelo esportivo.

E não é apenas uma pequena experiência.

O evento foi planejado para durar 12 dias, entre 29 de julho e 9 de agosto.

O conceito está crescendo

Os Games of the Future não começaram em 2026.

A primeira edição aconteceu em 2024, e o projeto continuou crescendo nos anos seguintes.

A edição de 2025, realizada em Abu Dhabi, registrou mais de 461 milhões de visualizações de transmissão e aproximadamente 137 milhões de espectadores únicos, segundo a organização.

Esses números ajudam a explicar por que os organizadores estão investindo cada vez mais na ideia.

Se o público continuar crescendo, o phygital pode deixar de ser apenas uma experiência experimental e se transformar em uma categoria esportiva própria.

O phygital pode ser o futuro dos esports?

Ainda é cedo para afirmar.

O conceito possui algumas vantagens claras.

A primeira é que ele pode tornar os esports mais interessantes para pessoas que não acompanham competições de videogame.

Um espectador que não tenha interesse em assistir a uma partida inteira de Dota 2 talvez se interesse por uma competição que mistura videogame, futebol, basquete ou luta.

Também existe uma vantagem para os próprios jogadores.

O modelo exige habilidades diferentes das normalmente encontradas nos esports tradicionais.

Não basta ter reflexos rápidos e conhecimento do jogo.

Dependendo da modalidade, o atleta também precisa ter coordenação, condicionamento físico e capacidade de adaptação.

Mas existem desafios

O formato também precisa provar que consegue funcionar a longo prazo.

Uma das maiores dificuldades é justamente a complexidade.

Organizar um campeonato tradicional de videogame já exige computadores, servidores, árbitros e infraestrutura.

No phygital, é necessário acrescentar quadras, campos, equipamentos esportivos, tecnologia de transmissão e estruturas para conectar as duas partes da competição.

Também existe a questão de definir regras que façam sentido.

Como comparar exatamente o desempenho digital com o físico?

Quanto uma etapa deve influenciar a outra?

São questões que ainda precisam ser refinadas conforme o formato amadurece.

O mais interessante é que o conceito não tenta substituir os videogames

O phygital não parece estar tentando dizer que os esports tradicionais estão ultrapassados.

Na verdade, os Games of the Future de 2026 mostram justamente o contrário.

Dota 2, PUBG e Mobile Legends continuam sendo grandes atrações do evento.

A proposta é adicionar uma nova camada.

Em vez de escolher entre videogame e esporte, o jogador pode precisar dominar os dois.

E isso pode representar uma mudança interessante na própria definição de atleta.

Um novo tipo de atleta está surgindo?

Durante décadas, a palavra “atleta” esteve associada quase exclusivamente ao desempenho físico.

Depois, os esports começaram a questionar essa definição.

Agora, o phygital vai ainda mais longe.

O competidor precisa dominar o mundo digital e o mundo físico.

Um jogador pode ser extremamente habilidoso no videogame, mas ter dificuldades quando precisa executar movimentos no mundo real.

Outro pode ser um excelente atleta, mas não possuir a mesma capacidade estratégica dentro do jogo.

O campeão precisa encontrar um equilíbrio entre os dois.

E talvez seja justamente essa a ideia por trás do nome Games of the Future.


O futuro dos games pode não estar apenas dentro da tela

Os Games of the Future 2026 representam uma experiência bastante diferente do que estamos acostumados a chamar de competição de videogames.

O evento mostra que a indústria está experimentando maneiras de fazer com que os jogos ultrapassem a tela e se conectem cada vez mais ao mundo real.

O phygital transforma o videogame em apenas uma parte da competição.

O jogador precisa pensar, reagir, controlar e, em seguida, levantar da cadeira e provar que consegue fazer algo semelhante no mundo físico.

Ainda não sabemos se esse modelo será capaz de conquistar o mesmo espaço que os esports tradicionais.

Mas os números das edições anteriores, o investimento crescente e a dimensão da edição de 2026 mostram que existe uma aposta séria nesse conceito.

E talvez daqui a alguns anos seja perfeitamente normal assistir a um campeonato em que um atleta começa a partida com um controle nas mãos e termina correndo em uma quadra ou campo.

Se isso realmente acontecer, os Games of the Future podem acabar sendo lembrados como um dos primeiros grandes passos nessa direção.

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