A Electronic Arts, uma das maiores empresas da indústria dos videogames, agora tem novos donos. O consórcio formado pelo Public Investment Fund (PIF), fundo soberano da Arábia Saudita, pela Silver Lake e pela Affinity Partners, empresa de investimentos de Jared Kushner, concluiu oficialmente a aquisição da companhia por aproximadamente US$ 55 bilhões.
Com o fechamento do negócio, a EA deixa de ser uma empresa de capital aberto e passa a operar como uma companhia privada. O acordo é considerado um dos maiores negócios já realizados na história da indústria dos games e também o maior take-private financiado por patrocinadores em dinheiro.
A Arábia Saudita passa a controlar a maior parte da EA
Embora a aquisição tenha sido realizada por um consórcio, o PIF é o principal investidor.
O fundo soberano saudita ficou com aproximadamente 93,4% da nova estrutura da Electronic Arts, enquanto Silver Lake e Affinity Partners possuem participações minoritárias.
A operação começou a ser planejada em setembro de 2025, quando a EA anunciou oficialmente que havia chegado a um acordo para ser adquirida por US$ 55 bilhões.
Na época, os acionistas receberam uma oferta de US$ 210 por ação, representando um prêmio de aproximadamente 25% em relação ao valor das ações antes da divulgação do negócio.
Depois de meses de análises regulatórias, o processo finalmente chegou ao fim.
EA deixa a bolsa de valores
Uma das principais consequências da aquisição é que a Electronic Arts deixa de ser negociada publicamente.
Durante décadas, investidores puderam comprar e vender ações da companhia na bolsa. Agora, com a conclusão da operação, as ações deixam de ser listadas nos mercados públicos.
Na prática, isso significa que a EA passa a ter muito mais liberdade para tomar decisões estratégicas sem precisar lidar com a mesma pressão de investidores a cada trimestre.
Esse é justamente um dos argumentos utilizados pelos novos proprietários para defender a aquisição.
A expectativa é que a empresa possa investir pensando em projetos de longo prazo, sem necessariamente precisar priorizar resultados financeiros imediatos.
Um negócio de US$ 55 bilhões
O tamanho da operação impressiona até mesmo quando comparado a outras grandes aquisições da indústria.
O acordo avalia a Electronic Arts em aproximadamente US$ 55 bilhões, tornando-se uma das maiores transações da história dos videogames.
A operação também envolve aproximadamente US$ 20 bilhões em financiamento por dívida, o que significa que o negócio não foi realizado apenas com dinheiro dos investidores.
Esse nível de endividamento, por sua vez, já levanta questionamentos sobre como a EA administrará suas despesas e investimentos daqui para frente.
O que acontece com Battlefield, The Sims e EA Sports FC?
Para os jogadores, essa provavelmente é a maior pergunta.
A Electronic Arts continua responsável por algumas das franquias mais importantes da indústria, incluindo Battlefield, The Sims, Madden NFL, EA Sports FC, Apex Legends e várias outras propriedades.
Por enquanto, não existe indicação de que a aquisição provocará mudanças imediatas na produção ou distribuição desses jogos.
A própria EA afirma que pretende acelerar investimentos em inovação e crescimento, enquanto o CEO Andrew Wilson continua à frente da companhia.
Isso significa que, pelo menos inicialmente, o consumidor provavelmente continuará encontrando os mesmos estúdios e franquias que já fazem parte do catálogo da empresa.
Por que a Arábia Saudita está investindo tanto em games?
A aquisição da EA não aconteceu isoladamente.
Nos últimos anos, a Arábia Saudita aumentou significativamente sua presença na indústria dos videogames por meio do Public Investment Fund.
O país vem utilizando investimentos em entretenimento, esportes e tecnologia como parte de uma estratégia maior de diversificação econômica.
O setor de games é particularmente interessante devido ao tamanho de seu público global e à possibilidade de conectar videogames com esportes, eventos, mídia e outras formas de entretenimento.
A aquisição da EA coloca o fundo saudita no controle de algumas das maiores franquias esportivas e de entretenimento interativo do planeta.
O negócio também gera controvérsia
Apesar do discurso sobre crescimento e inovação, a aquisição não foi recebida de maneira totalmente positiva.
A participação majoritária do PIF na EA levantou preocupações relacionadas à influência do governo saudita sobre uma das maiores empresas de entretenimento do mundo.
Organizações de direitos humanos e críticos do governo saudita também acusam o país de utilizar grandes investimentos em esportes e entretenimento para melhorar sua imagem internacional — estratégia frequentemente chamada de “sportswashing” ou, em um contexto mais amplo, de tentativa de melhorar sua reputação por meio do entretenimento.
A aquisição da EA, portanto, representa muito mais do que uma simples mudança de proprietários.
Ela também amplia consideravelmente a presença saudita na indústria global de videogames.
E existe o risco de demissões?
Outro ponto que preocupa funcionários e jogadores é a possibilidade de cortes.
A aquisição foi financiada parcialmente por dívida, e uma empresa privada pode buscar aumentar sua eficiência e rentabilidade para cumprir suas obrigações financeiras.
Isso alimentou especulações sobre possíveis demissões ou redução de investimentos em projetos considerados menos lucrativos.
Até o momento, não há anúncio oficial de uma nova rodada de demissões relacionada à conclusão da aquisição.
Por isso, qualquer informação sobre cortes futuros deve ser tratada como especulação.
A EA já havia realizado reduções de sua força de trabalho nos últimos anos, mas isso aconteceu antes da conclusão da aquisição.
EA agora começa uma nova era
A conclusão da aquisição encerra uma história de 36 anos da Electronic Arts como empresa de capital aberto.
Agora, a companhia começa uma nova fase sob controle majoritário do PIF e com Silver Lake e Affinity Partners como parceiros financeiros.
Para os jogadores, o impacto real dessa mudança provavelmente não aparecerá imediatamente.
O que pode mudar nos próximos anos é a estratégia da empresa: quais franquias receberão mais investimentos, quais projetos serão cancelados, como os estúdios serão administrados e até que ponto a nova estrutura permitirá que a EA assuma riscos maiores.
A companhia possui algumas das propriedades mais valiosas do mercado. O desafio dos novos proprietários será transformar esse gigantesco catálogo em crescimento sustentável.
O que essa compra pode significar para a indústria?
A aquisição da EA é mais um capítulo de uma tendência que vem transformando o mercado de videogames.
Nos últimos anos, empresas gigantes passaram a concentrar cada vez mais propriedades e estúdios. Microsoft adquiriu a Activision Blizzard, Bethesda e outras companhias, enquanto a Take-Two incorporou a Zynga.
Agora, uma das maiores editoras do planeta também passa para as mãos de um grupo de investidores.
A diferença é que, neste caso, um fundo soberano estrangeiro controla a maior parte da companhia.
Isso torna o negócio particularmente importante para a indústria.
A EA continuará produzindo seus jogos, mas a empresa que conhecíamos como uma gigante de capital aberto agora responde a uma estrutura completamente diferente.



