A compra da Electronic Arts (EA) por um consórcio liderado pelo Public Investment Fund (PIF), fundo soberano da Arábia Saudita, está oficialmente na reta final. A empresa confirmou que todas as aprovações regulatórias necessárias foram obtidas e que a transação deve ser concluída em 4 de agosto, marcando o fim da EA como uma companhia de capital aberto após mais de três décadas na bolsa de valores.
Avaliado em US$ 55 bilhões, o acordo é considerado um dos maiores da história da indústria dos videogames e também um dos maiores processos de aquisição já realizados por um fundo de investimento. Após sua conclusão, o PIF passará a controlar 93,4% da Electronic Arts, enquanto a Silver Lake e a Affinity Partners dividirão a participação restante.
Como ficará a nova estrutura da EA
Com o fechamento da operação, a Electronic Arts deixará de negociar ações na Nasdaq e passará a atuar como uma empresa privada.
O controle da publisher ficará distribuído da seguinte forma:
- 93,4% para o Public Investment Fund (PIF);
- 5,5% para a Silver Lake;
- 1,1% para a Affinity Partners.
A expectativa é que a estrutura permita à empresa tomar decisões de longo prazo sem a pressão dos resultados trimestrais exigidos pelo mercado financeiro.
Por que a Arábia Saudita quer a EA?
A aquisição faz parte da estratégia da Arábia Saudita de transformar o país em uma potência global do entretenimento e dos videogames por meio do programa Vision 2030.
Nos últimos anos, o PIF investiu bilhões de dólares na indústria, adquirindo participações em empresas como Nintendo, Capcom, Nexon e Take-Two Interactive, além de criar a Savvy Games Group e investir fortemente no cenário de esports.
Com a compra da EA, o fundo passa a controlar algumas das franquias mais lucrativas do mercado, incluindo EA Sports FC, Battlefield, The Sims, Apex Legends, Mass Effect, Dragon Age e Need for Speed.
EA afirma que seus valores permanecerão os mesmos
Desde que o acordo foi anunciado em 2025, uma das maiores preocupações da comunidade envolve a possível influência do novo controlador sobre os conteúdos produzidos pelos estúdios da EA.
Diversos jogadores e criadores de conteúdo demonstraram receio de que franquias conhecidas por sua diversidade, como The Sims e Mass Effect, possam sofrer mudanças devido ao histórico da Arábia Saudita em relação a direitos humanos e à comunidade LGBTQIA+.
A Electronic Arts, no entanto, continua afirmando que sua independência criativa será preservada e que os valores da empresa permanecerão inalterados após a conclusão da aquisição.
Também existem preocupações sobre demissões
Além das questões relacionadas ao conteúdo dos jogos, analistas acompanham com atenção os possíveis impactos financeiros da operação.
Como parte do acordo, uma parcela significativa da compra foi financiada por dívida, o que tradicionalmente leva empresas adquiridas a promover programas de redução de custos nos anos seguintes.
Especialistas apontam que isso pode resultar em novas rodadas de demissões, fechamento de estúdios ou reorganizações internas, embora a EA ainda não tenha anunciado qualquer medida nesse sentido.
Uma das maiores mudanças da história da indústria
A conclusão da compra representa uma mudança histórica para uma das empresas mais importantes dos videogames.
Fundada em 1982, a Electronic Arts ajudou a moldar o mercado moderno com franquias esportivas, RPGs, jogos de corrida e shooters. Agora, pela primeira vez em décadas, a companhia deixa de responder aos acionistas da bolsa e passa a integrar uma estratégia de investimentos muito mais ampla do governo saudita.
A expectativa é que os próximos meses revelem como essa nova estrutura influenciará o desenvolvimento de futuras franquias e a gestão dos estúdios da publisher.



