RPG ambientado na Grécia Antiga registrou aumento de 90% no número de jogadores após a estreia de A Odisseia, novo filme do diretor
O impacto de um grande filme pode ir muito além das bilheterias. É exatamente isso que parece estar acontecendo com Assassin’s Creed Odyssey, RPG lançado pela Ubisoft em 2018, que voltou a chamar a atenção dos jogadores após a chegada de A Odisseia, novo filme dirigido por Christopher Nolan.
Mesmo sem qualquer relação oficial entre o longa e o videogame, o interesse pela Grécia Antiga apresentado no filme parece ter despertado a curiosidade de milhares de pessoas que decidiram retornar ao mundo de Assassin’s Creed Odyssey — ou experimentá-lo pela primeira vez.
Segundo dados da Alinea Analytics, o jogo registrou um aumento de aproximadamente 90% no número de jogadores ativos considerando Steam, PlayStation e Xbox nos dez dias seguintes à estreia do filme.
De 122 mil para 233 mil jogadores
Os números ajudam a mostrar o tamanho do impacto.
No dia 17 de julho, data de estreia de A Odisseia, Assassin’s Creed Odyssey tinha aproximadamente 122 mil jogadores ativos somando as plataformas analisadas.
Dez dias depois, em 27 de julho, esse número havia chegado a cerca de 233 mil jogadores.
Isso representa um crescimento de aproximadamente 90% em apenas dez dias.
O aumento também foi ainda mais expressivo no Xbox.
Segundo os dados apresentados pelo analista Rhys Elliott, da Alinea Analytics, a plataforma registrou um crescimento de aproximadamente 134% no número de jogadores ativos durante o período analisado.
O curioso é que Odyssey já possui oito anos de mercado.
Ou seja, não foi um lançamento recente, uma grande atualização ou uma expansão que provocou o crescimento.
Foi o interesse renovado pela Grécia Antiga causado por uma produção cinematográfica de grande alcance.
Mas Assassin’s Creed Odyssey não é uma adaptação de Homero
Apesar da coincidência no nome e de ambos utilizarem elementos da mitologia grega, Assassin’s Creed Odyssey não é uma adaptação direta da Odisseia, de Homero.
O jogo conta sua própria história durante a Guerra do Peloponeso, em 431 a.C., colocando o jogador em uma versão fictícia da Grécia Antiga.
O protagonista pode ser Alexios ou Kassandra, descendentes do lendário rei espartano Leônidas.
Ao longo da aventura, o jogador visita diferentes regiões da Grécia, encontra figuras históricas e enfrenta criaturas inspiradas na mitologia.
É justamente essa ambientação que cria a conexão indireta com o filme de Nolan.
O filme colocou a Grécia Antiga novamente no centro das atenções
A Odisseia, dirigido por Christopher Nolan, adapta a famosa obra atribuída a Homero e acompanha a jornada de Odisseu durante seu retorno para casa após a Guerra de Troia.
O filme se tornou um dos grandes acontecimentos cinematográficos de 2026 e colocou novamente a mitologia grega no centro da cultura popular.
Para jogadores que assistiram ao longa e ficaram interessados naquele período histórico, Assassin’s Creed Odyssey acabou aparecendo como uma maneira de continuar explorando aquele universo.
Não é necessário que exista uma conexão oficial entre as duas obras.
Basta que o público veja elementos semelhantes e pense:
“Quero conhecer mais sobre esse período.”
E é exatamente aí que jogos históricos de mundo aberto podem se beneficiar de produções cinematográficas.
Game Pass e PS Plus também ajudaram
Embora o filme seja apontado como o principal fator por trás do crescimento, existe outro detalhe importante.
Assassin’s Creed Odyssey está disponível em serviços de assinatura, incluindo Xbox Game Pass e PlayStation Plus, o que reduz significativamente a barreira para quem decidiu experimentar o jogo depois de assistir ao filme.
Isso provavelmente contribuiu para transformar a curiosidade em jogadores reais.
Uma pessoa que assiste ao filme e quer conhecer a Grécia Antiga pode simplesmente abrir seu console, encontrar Odyssey no catálogo e começar a jogar sem precisar comprar o título separadamente.
Portanto, o crescimento não pode ser atribuído exclusivamente ao filme.
O contexto de disponibilidade do jogo também é importante.
Um fenômeno que pode beneficiar jogos antigos
O caso de Assassin’s Creed Odyssey demonstra algo interessante sobre a relação entre cinema e videogames.
Normalmente, estamos acostumados a ver adaptações de jogos levando espectadores aos videogames originais.
Foi o que aconteceu com produções como The Last of Us, Fallout e The Super Mario Bros. Movie.
Mas o movimento também pode acontecer no sentido contrário.
Um filme não precisa adaptar um jogo para aumentar seu público.
Basta apresentar um universo, período histórico ou conceito semelhante.
Foi o que aconteceu com Odyssey.
A produção de Nolan reacendeu o interesse por uma experiência que já estava disponível há anos.
E não foi apenas Assassin’s Creed
O fenômeno não está restrito a Assassin’s Creed Odyssey.
Outro exemplo recente envolve os jogos do Spider-Man da Insomniac, que também registraram crescimento de interesse após a chegada de Spider-Man: Brand New Day aos cinemas.
Nesse caso, a ligação é ainda mais direta, já que os jogos e o filme utilizam o mesmo personagem.
No caso de Assassin’s Creed, a conexão é muito mais indireta: Grécia Antiga, mitologia e exploração histórica.
Mesmo assim, o resultado foi significativo.
O fenômeno chamou atenção justamente porque mostra como Hollywood pode funcionar como uma espécie de “gatilho” para redescobrir jogos antigos.
Ubisoft pode aproveitar esse interesse?
A Ubisoft já possui uma relação bastante forte com a reconstrução de períodos históricos.
Assassin’s Creed Odyssey é apenas um dos exemplos mais conhecidos.
A franquia já levou jogadores para diferentes épocas, incluindo o Egito Antigo em Origins, a Era Viking em Valhalla e o Japão feudal em Shadows.
A empresa também possui dados mostrando o tamanho da comunidade de Assassin’s Creed: em seu ano fiscal de 2024/2025, a franquia alcançou aproximadamente 30 milhões de jogadores únicos ativos pelo quarto ano consecutivo.
O aumento provocado pelo filme reforça o potencial que a marca possui mesmo anos depois do lançamento de seus jogos.
Um lembrete de que jogos não têm prazo de validade
Talvez o aspecto mais interessante dessa história seja justamente a idade de Assassin’s Creed Odyssey.
O jogo chegou ao mercado em 2018.
Mesmo assim, oito anos depois, uma produção cinematográfica conseguiu praticamente dobrar sua quantidade de jogadores ativos em um período de apenas dez dias.
Isso mostra que jogos de grande escala podem permanecer relevantes durante muitos anos quando existe algum acontecimento externo capaz de despertar novamente o interesse do público.
E, nesse caso, nem sequer foi necessário um novo conteúdo.
Não houve uma grande expansão.
Não houve uma sequência.
Não houve uma atualização revolucionária.
Houve um filme.
O efeito Christopher Nolan
O caso também demonstra a força que Christopher Nolan possui para movimentar o interesse do público.
A Odisseia transformou novamente a mitologia grega em um dos assuntos mais comentados do entretenimento, e um dos efeitos colaterais acabou sendo bastante curioso: jogadores voltaram para um RPG lançado oito anos atrás.
Os dados da Alinea Analytics indicam que o número de jogadores ativos de Assassin’s Creed Odyssey passou de aproximadamente 122 mil para 233 mil em apenas dez dias, um crescimento de cerca de 90%. No Xbox, o aumento chegou a 134%.
E existe uma possibilidade interessante para o futuro.
À medida que filmes e séries continuarem explorando universos históricos, mitológicos e de fantasia, outros jogos antigos podem passar pelo mesmo fenômeno.
No caso de Assassin’s Creed Odyssey, a situação é especialmente curiosa porque um filme sobre a Odisseia de Homero acabou ressuscitando um jogo que, apesar do nome, nunca foi uma adaptação direta da obra.
No fim, a maior vitória da Ubisoft pode ter sido simplesmente lembrar aos jogadores que a Grécia Antiga de Assassin’s Creed Odyssey ainda está esperando por eles.



