O PlayStation Portable ganhou uma versão bastante inusitada de Counter-Strike. Mais de 20 anos depois do lançamento do portátil da Sony, um desenvolvedor conseguiu colocar no aparelho um jogo inspirado no clássico FPS da Valve, com direito a 60 quadros por segundo.
O projeto, chamado OpenStrike, foi desenvolvido por Yifeng Wang e chamou atenção justamente pela capacidade de rodar em um hardware extremamente limitado para os padrões atuais. O PSP original foi lançado em 2004 e possui apenas uma fração do poder de processamento encontrado em consoles e celulares modernos. Ainda assim, o projeto consegue entregar uma experiência bastante próxima da estrutura do clássico Counter-Strike.
Mas existe uma informação importante: OpenStrike não é um port oficial de Counter-Strike.
Um Counter-Strike criado do zero para o PSP
Em vez de simplesmente tentar adaptar uma versão existente do jogo para o portátil, Wang desenvolveu praticamente toda a estrutura necessária para que o projeto funcionasse.
O OpenStrike utiliza uma engine 3D própria chamada Pocket3D, desenvolvida em Rust. Já elementos como interface, pontuação e regras do jogo utilizam PocketJS, uma engine baseada em JavaScript.
Essa abordagem permitiu que o desenvolvedor construísse o projeto pensando especificamente nas limitações do PSP.
O resultado é um FPS que consegue rodar na resolução nativa de 480 × 272 pixels do PSP e, segundo o desenvolvedor, manter 60 FPS estáveis.
E existe outro número impressionante: o projeto utiliza aproximadamente 12 MB de memória RAM.
O PSP consegue rodar a 60 FPS
Para entender por que isso chama tanta atenção, é preciso lembrar das limitações do PSP.
O portátil possui uma tela de 4,3 polegadas com resolução de 480 × 272 pixels e foi lançado há aproximadamente 22 anos.
Mesmo assim, o OpenStrike consegue manter uma taxa de 60 quadros por segundo no hardware original.
O projeto também foi testado no PSP-1000, o primeiro modelo comercializado do portátil.
Não se trata, portanto, de uma versão rodando apenas em um computador através de emulação.
O jogo realmente funciona no hardware original do PSP.
Oito mapas de Counter-Strike já foram testados
O projeto também já possui suporte para os oito mapas clássicos de Counter-Strike.
Atualmente, entretanto, a experiência ainda não possui todos os recursos encontrados no jogo original.
O OpenStrike permite disputar partidas de eliminação contra bots, enquanto o tradicional sistema de compra de armas ainda está em desenvolvimento.
Isso significa que o projeto ainda deve ser considerado um proof of concept, e não uma reprodução completa de Counter-Strike.
Mesmo assim, a estrutura básica já está funcionando.
O jogador pode se movimentar pelos mapas, enfrentar inimigos controlados pela inteligência artificial e utilizar armas dentro de partidas baseadas na estrutura clássica do FPS.
Como conseguiram fazer isso?
A grande dificuldade estava justamente em fazer um jogo 3D desse tipo funcionar no hardware antigo.
Para alcançar os 60 FPS, o projeto utiliza diversas técnicas de otimização.
Uma delas é o Binary Space Partitioning (BSP), que permite evitar o processamento de partes do cenário que não estão visíveis para o jogador.
A iluminação também não é calculada constantemente em tempo real. Em vez disso, informações de iluminação são pré-processadas e incorporadas às cores dos vértices.
São soluções relativamente antigas, mas que fazem bastante sentido em um hardware com recursos tão limitados.
Não é exatamente Counter-Strike da Valve
Apesar de a aparência e a estrutura lembrarem bastante o clássico FPS, é importante não confundir o projeto com um lançamento oficial.
OpenStrike é uma implementação independente inspirada em Counter-Strike.
O projeto foi desenvolvido como uma implementação própria e disponibilizado como código aberto. Para executar determinados conteúdos, os usuários precisam fornecer seus próprios arquivos de dados compatíveis, em vez de receber materiais proprietários da Valve junto com o projeto.
Essa distinção também explica por que o projeto pode existir sem ser simplesmente uma versão oficial de Counter-Strike para PSP.
O projeto também funciona no PS Vita
E o PSP não é o único portátil da Sony capaz de executar o OpenStrike.
O projeto também funciona no PlayStation Vita, onde consegue aproveitar a resolução nativa de 960 × 544 pixels.
A diferença de resolução deixa o jogo visualmente mais confortável no Vita, mas a grande façanha continua sendo conseguir executar o projeto no PSP original.
O OpenStrike também pode ser executado em computadores e através do emulador PPSSPP.
A comunidade de modding já está de olho
Talvez a parte mais interessante do OpenStrike esteja justamente no fato de ele ser um projeto de código aberto.
Além da engine própria, o projeto possui uma API de mods baseada em JavaScript, permitindo que outros desenvolvedores possam trabalhar em cima da estrutura criada por Wang.
Isso significa que o projeto pode evoluir muito além da demonstração atual.
Novas armas, modos de jogo e outras funcionalidades podem ser adicionados pela comunidade no futuro.
Por enquanto, entretanto, o objetivo principal parece ser provar que a ideia é tecnicamente possível.
E essa missão já foi cumprida.
O mais impressionante não é apenas rodar no PSP
É fácil olhar para as imagens do OpenStrike e pensar que a grande conquista é simplesmente ter colocado um FPS 3D no PSP.
Mas o verdadeiro destaque está na maneira como isso foi feito.
Em vez de pegar uma versão existente de Counter-Strike e tentar reduzir seus requisitos até que ela funcionasse no portátil, o desenvolvedor criou uma nova engine, uma nova estrutura de scripting e uma implementação pensada desde o início para hardware limitado.
Isso demonstra como um projeto bem otimizado pode extrair muito mais de um hardware antigo do que seria possível através de uma adaptação convencional.
Depois de 22 anos, o PSP ainda surpreende
O PlayStation Portable chegou ao mercado em 2004 e já deixou de receber suporte oficial há muitos anos.
Mesmo assim, a comunidade continua encontrando novas maneiras de utilizar o aparelho.
Agora, graças ao OpenStrike, o portátil consegue executar uma experiência inspirada em um dos FPS competitivos mais importantes da história dos videogames, chegando a 60 FPS no hardware original.
Ainda falta bastante para o projeto se transformar em uma experiência completa. O sistema de compra de armas, por exemplo, ainda não está implementado, e as partidas atualmente são focadas em bots.
Mas talvez essa seja justamente a parte mais interessante.
Se isso já é possível em um PSP de 2004, fica a pergunta sobre até onde a comunidade conseguirá levar o projeto.
E, considerando que o OpenStrike possui código aberto e uma estrutura preparada para mods, é possível que essa história ainda esteja apenas começando.



